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Brevan Jorgenson é um estudante da Universidade de Nebraska, em Omaha, nos Estados Unidos, do curso de Inovação em Tecnologia da Informação. Ele é também consultor técnico e palestrante. E seu Honda Civic sabe dirigir sozinho.

Gastando cerca de US$ 700, o que equivale a cerca de R$ 2.340 na cotação atual do dólar (uns 3% do preço médio de um Honda Civic no Brasil), Brevan conseguiu comprar equipamentos e colocar um sistema de direção semiautônomo no seu carro.

O sistema não é completo como o carro da Waymo, empresa-irmã do Google, que já consegue circular praticamente sem mãos humanas. E nem é como o do carro da Uber que recentemente se envolveu em um acidente fatal em Tempe, estado do Arizona.

O sistema montado por Brevan é semelhante ao modo “piloto automático” dos carros elétricos da Tesla. Ele ainda exige que o motorista fique atento à estrada, mas é capaz de controlar aceleração, freio e faz alguns movimentos com o volante.

Tudo começou quando Brevan, ainda estagiário da Universidade de Nebraska, foi efetivado na função de consultor técnico. Com o aumento de salário, ele decidiu comprar um carro – o Civic em questão, modelo 2016, com câmbio automático.

Foi quando ele ouviu falar de uma startup da Califórnia chamada Commai. A empresa foi fundada por George Hotz, um hacker conhecido por ter desenvolvido métodos de jailbreak para o iPhone e até um desbloqueio para o PlayStation 3.

Hotz estava trabalhando em um método de hackear carros comuns e torná-los autônomos. Só que a empresa não tinha autorização do governo para vender um equipamento que fizesse o carro de qualquer pessoa andar sozinho.

Hotz encerrou a Commai e nunca conseguiu fazer um carro dirigir sozinho, mas Brevan conseguiu dar continuidade ao projeto. Antes de fechar, a Commai colocou na internet todas as instruções para a criação do equipamento que faria carros comuns ganharem vida, de graça, para quem quisesse pegar.

Foi o que Brevan fez. “Quando eles fizeram isso, o sistema só tinha suporte para dois carros”, conta o estudante em entrevista ao Olhar Digital. “Um dos carros era o Honda Civic 2016. E eu pensei: cara, eu tenho esse carro!”, relembra.

Brevan baixou todas as instruções disponibilizadas pela Commai e começou a montar seu próprio sistema para hackear o Honda Civic. Era preciso comprar uma série de componentes e até mandar fabricar, de forma personalizada, alguns deles que não se achava no mercado.

Um mês depois (e US$ 700 a menos na conta), Brevan conseguiu: montou o equipamento que faria seu carro andar sozinho. Assim como um carro da Tesla, o dele consegue se virar sem motorista em algumas vias e por tempo limitado, mas funciona.

Reprodução

Como funciona

O dispositivo que faz a mágica se chama Neo e consiste em um smartphone OnePlus 3 rodando o software Openpilot, desenvolvido pela Commai, em um Android hackeado. A câmera do celular funciona como os olhos do carro, enquanto o software usa inteligência artificial para reconhecer obstáculos e faixas na pista.

Um dissipador de calor fica atrás do OnePlus 3 para impedir o superaquecimento do aparelho. Um cabo customizado por Brevan conecta o celular por USB à parte eletrônica do Honda Civic e permite que os dois se comuniquem.

Tudo isso fica preso no local onde deveria estar o espelho retrovisor do carro, dentro de uma caixa de metal. Esta, por sua vez, teve que ser feita por encomenda, por uma empresa que trabalha com impressão 3D.

A placa de circuito impresso, que também ajuda a processar os dados captados pelo celular, foi o item mais difícil. Brevan conta que tentou fazer a placa por conta própria três vezes, falhou três vezes, até encomendar de uma empresa especializada.

O item mais caro foi o OnePlus 3, que custou US$ 350. A placa de circuito impresso feita por encomenda custou US$ 100. A caixa feita por uma impressora 3D foi só US$ 10. Alguns cabos e componentes mais baratos levaram o custo total a US$ 700.

“Você poderia montar o equipamento todo por menos de US$ 500”, afirma Brevan. “Se você souber fazer solda para montar a placa de circuito impresso, por exemplo. Hoje tem sites que vendem o pacote completo por cerca de US$ 560 e você não precisa fazer nada.”

O que mais empoga Brevan é o fato de que o sistema todo está em constante upgrade. Toda semana surgem atualizações para o software da Commai que trazem mais precisão ao sistema de piloto automático, tornando-o mais inteligente e seguro.

“Se você compra um carro hoje, ele não fica melhor com o tempo. É o mesmo carro do dia em que você compra até o dia em que ele morre”, comenta o estudante. “O meu carro só fica cada vez melhor. Nem todo mundo tem um carro que faz isso.”

Segurança

Recentemente, carros autônomos estamparam manchetes do mundo inteiro ao se envolver em acidentes fatais. Primeiro foi o carro autônomo da Uber, que atropelou e matou uma pessoa em Tempe, Arizona, no começo do mês de março.

Depois, um carro da Tesla com o modo de piloto automático ligado bateu e matou o ocupante. No caso, a montadora garante que a culpa é do motorista, que não prestou atenção aos avisos do sistema de que deveria colocar as mãos no volante.

Os dois casos fizeram com que muita gente questionasse o nível de segurança dessa tecnologia e levantou a dúvida: será que sistemas autônomos são mesmo capazes de substituir o olhar e as mãos humanas atrás do volante?

Brevan explica que tudo depende do equipamento usado. O carro da Uber usava um LiDAR, um sensor que mapeia o ambiente ao seu redor através de pulsos de luz infravermelha – como se fosse um radar, mas com luz ao invés de som.

Já o carro do estudante usa diversas câmeras e muitos algoritmos para ganhar o dom da visão. Ele não consegue detectar pedestres e nem para no sinal vermelho, mas próximas atualizações de software devem garantir isso.

Como não há sensores nas laterais do carro, também fica difícil detectar carros ou pessoas que venham dos lados. Pensando nisso tudo, Brevan ainda dirige com as mãos no volante, mas é otimista com relação à evolução da tecnologia.

“Obstáculos que ele não poderia ver no caminho seriam os mesmos que um motorista humano não poderia ver, com exceção de que a câmera não pode virar a cabeça como um ser humano, ela só olha para frente”, diz Brevan. “Acho que em 20 anos veremos carros autônomos à venda, nas ruas. Ou, pelo menos, é o que eu espero.”

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