Mark Zuckerberg assume erros e não descarta versão paga do Facebook

Mark Zuckerberg assume erros e não descarta versão paga do Facebook

O dia 10 de abril de 2018 foi atípico para Mark Zuckerberg. O executivo, que raramente dá as caras além de eventos de anúncios da empresa, se tornou o centro das atenções no Congresso dos Estados Unidos, onde ele foi questionado sobre o caso Cambridge Analytica e outras questões relacionadas a privacidade e atividades suspeitas da companhia.

O Olhar Digital está acompanhando o interrogatório e traz os principais destaques abaixo:

O Facebook sempre será grátis?

Talvez uma das partes mais importantes da sabatina envolveu Zuckerberg abrindo, pela primeira vez na história, a possibilidade de a empresa criar uma versão paga do Facebook. O senador Orrin Hatch lembrou um outro depoimento do executivo no passado, onde ele declarou que o Facebook é e sempre será grátis, e se essa visão ainda se confirmava. Diante da pergunta, Zuckerberg deu uma resposta evasiva. “Sempre haverá uma versão do Facebook que será grátis”, o que significa que a empresa ao menos cogita a possibilidade de oferecer um plano pago.

Essa mudança é importante por questões de privacidade. Mark Zuckerberg sempre defendeu os anúncios como uma forma de sustentar o serviço gratuito prestado pela empresa, o que, por sua vez, incentiva a coleta massiva de dados para direcionamento de publicidade praticado pela companhia e que gerou toda a situação da Cambridge Analytica, que obteve acesso indevido a dados sensíveis de 87 milhões de usuários para fins políticos. Um plano pago poderia dar a opção de continuar usando o serviço sem lidar com todo esse ciclo de quebra de privacidade.

O Facebook é um monopólio?

Não há outra rede social no planeta com o alcance do Facebook no mundo, e isso é indiscutível. O Twitter é o que chega mais perto, mas ainda tem praticamente menos de 25% da base de usuários do Facebook. Já o Instagram pertence ao próprio Facebook, então certamente não pode ser usado para descartar uma discussão sobre monopólio.

Essa dificuldade de correr para outras opções se o Facebook se tornar tóxico demais chamou a atenção dos senadores. Especificamente o senador Lindsey Graham pressionou Zuckerberg a nomear seus competidores, tarefa que se mostrou mais difícil e incômoda do que a pergunta inicialmente sugere.

Graham comparou o Facebook com o mercado automotivo, no sentido de que em um mercado saudável, se uma fabricante de carros cometer um erro muito grave, o consumidor que se sentir incomodado pode procurar por outras marcas. “Se eu estiver incomodado com o Facebook, qual é o produto equivalente no qual eu posso me cadastrar?”, perguntou ele sem uma resposta clara.

“Você não acha que você tem um monopólio?”, ele perguntou. “Certamente não parece isso para mim”, respondeu Zuckerberg.

O Facebook monitora usuários que não estão logados?

Uma das críticas de longa data ao Facebook é que a empresa não monitora apenas seus usuários dentro de sua plataforma. A empresa cria “perfis fantasma” para quem não tem uma conta na rede social para monitorá-los enquanto navegam por outros sites que usem os plugins do Facebook (como o botão de Like e Compartilhar, por exemplo).

Mark Zuckerberg foi questionado sobre essa situação pelo senador Roger Wicker, mas sua resposta foi pouco clara. “O Facebook pode monitorar as pessoas que fizeram logoff?”, ele questionou. O executivo, por sua vez, mencionou que cookies permitem que os navegantes tenham seu comportamento monitorado, mas ficou receoso de apresentar mais informações, prometendo que confirmaria com sua equipe para repassar todos os dados posteriormente.

Este texto está sendo atualizado conforme o surgimento de novidades no interrogatório. Volte em instantes para mais informações

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