Por acidente, cientistas criam enzima que permite reciclar garrafas de plástico

Apple diz que 12 funcionários já foram presos por vazar informações

Uma equipe internacional de pesquisadores acidentalmente criou uma enzima mutante que consegue digerir o plástico politereftalato de etileno – ou PET, como é mais conhecido. Esse tipo de plástico, que é usado em garrafas de bebidas, é de acordo com o Guardian um dos principais responsáveis por uma crise de poluição que pode ter tanto impacto no meio ambiente quanto o aquecimento global. 

Mas segundo o estudo publicado pelos pesquisadores, em breve pode ser possível decompor o plástico PET em seus componentes constituintes com a ajuda da enzima. Isso, por sua vez, permitiria que ele fosse totalmente reciclado. Atualmente, o plástico PET reciclado só pode ser transformado em fibras, cujo uso é relativamente limitado. 

Veja também:Metal Alkaleido? Teste revela que Xperia XZ tem mais plástico do que você pensaPesquisadores conseguem transformar plástico em combustívelNova geração do plástico-bolha não estouraPesquisadores descobrem plástico que desmancha com luz

Sem querer

A descoberta teve início em 2016, quando cientistas japoneses descobriram uma bactéria capaz de digerir o plástico PET. Por tratar-se de uma descoberta importante, uma equipe internacional passou a estudar a bactéria, buscando entender exatamente como ela realizava esse processo. A equipe então conseguiu identificar a enzima que permite que a bactéria decomponha o plástico das garrafas. 

Em seguida, segundo o Guardian, os cientistas fizeram modificações à enzima para tentar entender como ela havia evoluído até se tornar capaz de digerir PET. Mas ao fazer isso, eles inadvertidamente tornaram o processo de digestão de PET da enzima ainda mais eficiente. Com a modificação feita pelos pesquisadores, a enzima consegue começar a decompor o plástico em questão de alguns dias – o que é muito mais rápido do que os séculos que ela leva para começar a ser decomposta no meio ambiente. 

Benefícios

Numa declaração enviada ao Cnet, o pesquisador John McGeehan, envolvido no estudo, explicou que “foi um pouco chocante” quando os cietistas descobriram que haviam melhorado a enzima. “O que nós esperamos fazer é usar essa enzima para transformar o plástico de volta em seus componentes originais, para que nós possamos literalmente reciclá-lo de volta em plástico”, disse.

Trata-se de um objetivo importante, já que os plásticos em geral, por serem difíceis de reciclar, acabam sendo extremamente poluentes. De acordo com uma matéria recente do New York Times, o oceano Pacífico contém uma ilha com pelo menos 87 mil toneladas de plástico não-reciclado entre a Califórnia e o Havaí. A ilha em questão ocupa, no oceano, uma área equivalente a cerca de três vezes a do estado da Bahia.

Já há tentativas de solucionar o problema em andamento. Uma delas é um projeto de uma fundação holandesa que pretende usar redes gigantes para retirar o plástico de lá. A Adidas, por sua vez, tem investido na retirada de plástico do oceano e usado fibras feitas com o PET reciclado para fabricar alguns de seus calçados

Outras vantagens

A pesquisa ainda tem outras duas vantagens: primeiro, ela indica que deve haver bactérias capazes de digerir outros tipos de plástico na natureza. E segundo, ela revela que as enzimas geradas na natureza não são necessariamente otimizadas – isso abre espaço para que cientistas de todas as áreas busquem modificações que possam tornar outras enzimas mais eficientes. 

Para reciclar o plástico, os cientistas estudam colocar a enzima em bactérias capazes de sobreviver a temperaturas superiores a 70ºC. Nesse calor, o PET se torna viscoso, o que agiliza o processo de decomposição dele pelas bactérias.

Segundo o químico Oliver Jones, também ouvido pelo Guardian, “ainda há um caminho até que sejamos capazes de reciclar grandes quantidades de plástico com enzimas (…) mas [a descoberta] é certamente um passo na direção certa”. Ele ressalta ainda que é necessário avaliar se o processo de reciclagem não acabaria, ele próprio, por gerar problemas ambientais (como um aumento na emissão de gases estufa) e sugere também que “reduzir a quantidade de plástico produzida em primeiro lugar pode, talvez, ser preferível”. 

Você faz compras Online? Não deixe de conferir a nova extensão do Olhar Digital que garante o preço mais baixo e ainda oferece testadores automáticos de cupons. Clique aqui para instalar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.